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Linhagem

Três décadas de um movimento socioambiental.

A Meta 2034 não começa agora. Ela coroa um processo que nasceu da Reforma Sanitária brasileira, desceu 800 km de rio em caiaque, consolidou política de Estado e enraizou-se como mentalidade pública em Minas Gerais. O núcleo desse movimento foi a Faculdade de Medicina da UFMG, na disciplina Internato em Saúde Coletiva, cujo nome fantasia é Internato Rural, comumente visto como Internato de Saúde Pública Rural / SUS.

Pesca no Rio Cipó · 1988 (artigo)

Apolo Heringer Lisboa em articulação pública junto à ponte sobre o Rio das Velhas — três décadas de movimento
Um movimento que atravessa três décadas O Projeto Manuelzão nasceu em 1997 na UFMG e hoje articula comitês, universidades, prefeituras e sociedade civil em torno da Meta 2034.
Das raízes acadêmicas

Do Internato Rural ao Projeto Manuelzão.

Na década de 1990, o Internato Rural da UFMG (disciplina médica heterodoxa que enviava estudantes por três meses a rincões rurais de Minas) tornou-se um dos laboratórios brasileiros da Reforma Sanitária.

Dessa linhagem, pioneira no país, brotou o Projeto Manuelzão: saúde coletiva focada em realocar a prática médica com visão transdisciplinar, alterando os determinantes socioeconômico-ambientais como fundamento de uma teoria ecossistêmica da vida e da saúde na Terra.

Em 7 de janeiro de 1997, o Projeto Manuelzão / UFMG foi lançado publicamente, com a presença de docentes, discentes, do diretor da Faculdade de Medicina Edson Correia e do próprio Manuelzão Nardi. A idealização inicial coube a Apolo Heringer Lisboa, mas o projeto, desde o primeiro dia, é obra coletiva da universidade e da sociedade civil mineira.

2003

A Expedição por Água e Terra.

Entre 12 de setembro e 12 de outubro de 2003, por 30 dias ininterruptos, uma equipe desceu em caiaques os 800 km de meandros entre a Cachoeira das Andorinhas em Ouro Preto e a Barra do Guaicuí no Rio São Francisco.

A repercussão foi imensa na sociedade, na mídia e na maneira de enxergar a história de Minas pelo espelho d'água. Foi nesta expedição que se confirmou o conceito de Epicentro da degradação: os navegadores precisaram usar máscaras profissionais e roupas especiais ao atravessar o trecho entre as fozes dos ribeirões Arrudas, Onça e Mata.

A ideia da Meta 2010 nasceu em Rio Acima, durante concentração popular na ponte da cidade, com a presença do Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araújo.

Governador Aécio Neves em celebração pública da Meta 2010 em Santo Hipólito
Cúpula do Estado dentro do Rio das Velhas. Santo Hipólito, 2010. A Meta 2010 em seu auge.
2004–2010

Meta 2010: uma vitória histórica.

Graças à repercussão da Expedição e à ousadia do pedido de audiência com o então governador Aécio Neves, aliado do prefeito Fernando Pimentel e do futuro prefeito Márcio Lacerda, o Projeto Manuelzão conquistou o apoio do conjunto da sociedade e de toda a máquina estadual.

O Estado e diversos prefeitos, incluindo o de Belo Horizonte e o de Santo Hipólito (município que sediou o histórico evento), reuniram-se dentro do Rio das Velhas.

~60%

de melhoria estimada nas condições da bacia durante a Meta 2010.

800km

de meandros descidos em caiaque na Expedição 2003.

Pesquisas de biomonitoramento da UFMG e dados informativos da SEMAD, COPASA e CBH Velhas atestaram uma melhoria das condições da bacia estimada em 60%. Não fosse isso, a situação do rio hoje poderia estar irreversivelmente deteriorada. Histórico do Projeto Manuelzão
2024 · O manifesto que define a Meta

O lançamento do Manifesto Meta 2034.

Em 2024, o Projeto Manuelzão publica o manifesto “Para a volta do peixe à Bacia do Rio das Velhas”, fixando o horizonte de 2034 para a renaturalização da bacia. O documento estampa na capa o Dourado (Salminus franciscanus), peixe-símbolo e indicador biológico do rio vivo, e consolida a tese do Epicentro em Classe Dois como estratégia macro e sistêmica.

A escolha do horizonte 2034 dialoga diretamente com o Marco Regulatório do Saneamento (Lei 14.026/2020, prazo nacional de 2033) e com a Deliberação Copam–CERH/MG 08/2022. É a versão mais ambiciosa e integrada do movimento desde a Meta 2010: necessária, inadiável, legal e plenamente exequível.

Documento fundador Capa do Manifesto Meta 2034 com a ilustração do Dourado (Salminus franciscanus) por Paulo Henrique Fiote

Manifesto · 2024 · Projeto Manuelzão · UFMG

“Para a volta do peixe à Bacia do Rio das Velhas”

A peça que estabeleceu o Dourado como símbolo do movimento. A arte do peixe é de Paulo Henrique Fiote, e acompanha hoje toda a comunicação da Meta 2034.

O manifesto formaliza a tese do Epicentro, consolida a linhagem Manuelzão → Expedição 2003 → Meta 2010 e projeta o horizonte 2034.

Antever a volta dos peixes a rios renaturalizados é antever o restabelecimento dos serviços ambientais que a bacia pode prestar: alimento, renda, navegação, lazer, dessedentação. Academicamente falando, trata-se de um projeto de doutoramento a céu aberto, integrando graduação, pesquisa, extensão, análise estratégica e mobilização social, de forma transsetorial e transdisciplinar.

O prazo 2034 alinha-se ao Marco Regulatório do Saneamento (Lei 14.026/2020, prazo nacional de 2033 para universalização) e à Deliberação Normativa Conjunta Copam–CERH/MG 08/2022, que exige metas obrigatórias, intermediárias e finais de qualidade da água.

Legado institucional

Três contribuições que a sociedade civil construiu.

2002

Carta de Princípios do CBH SF

Base da visão ecossistêmica de bacia que se espalhou por todo o país.

2004

Declaração de Princípios do CBH Velhas

Marco na história do comitê, aprovado em plenária durante a Meta 2010.

2004+

Subcomitês por afluentes

Descentralização da gestão hidrográfica com proximidade às comunidades ribeirinhas.

Momentos do movimento

A Meta 2034 no território.

Encontros, articulações e caminhadas: a Meta não se constrói no gabinete. Ela se faz a cada subcomitê, plantio, reunião municipal e expedição ao rio.

Apolo Heringer Lisboa em evento público da Meta 2034
Em campo Apolo Heringer em evento público da Meta 2034
Trabalho de articulação em campo com a equipe do Projeto Manuelzão
Articulação territorial Com a equipe do Manuelzão em trabalho de campo
Evento com camisa da Expedição Manuelzão — desce o Rio das Velhas
Expedição Manuelzão Continuidade da descida pelo Rio das Velhas
Na imprensa

A voz que chega à sociedade.

Três décadas de mobilização, registradas por veículos como TV UFMG, Estado de Minas, Rede Globo, Folha de S.Paulo e Mongabay.

Entrevista à TV UFMG sobre a Meta 2034 e a volta do peixe
TV UFMG Cobertura sobre a Meta 2034 e a volta do peixe
Diálogo com a imprensa no território da bacia
Trabalho de campo O Projeto Manuelzão dialoga com a imprensa no território
Entrevista à TV UFMG sobre o Epicentro e a urgência da renaturalização
TV UFMG Sobre o Epicentro e a urgência da renaturalização

Nenhuma outra bacia do Brasil está tão preparada.

Esse acúmulo técnico, científico, subjetivo e político faz parte do diagnóstico. É ele que sustenta a viabilidade da Meta 2034.

Junte-se ao movimento